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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crítica: Frozen - Uma Aventura Congelante

Nota: 10

Agora é oficial, a melhor coisa que aconteceu na história recente dos estúdios de animação da Disney foi a compra da Pixar, desde que John Lasseter e sua trupe assumiu o estúdio do Mickey houve um salto em qualidade quase comparável à fase de renascimento do estúdio no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, onde foram feitos clássicos como “A Pequena Sereia” (89), “A Bela e a Fera” (91)“Aladdin” (92) e “O Rei Leão” (94), com o sucesso de público e crítica de “Enrolados”(2010), “Detona Ralph”(2012) e agora com “Frozen -  Uma Aventura Congelante”, a Disney volta a ser um dos grandes nomes da animação, junto à Pixar e a Dreamworks. O 53º desenho animado do estúdio esteve em desenvolvimento desde os anos 40,  entrando em produção e sendo adiado e cancelado inúmeras vezes. Uma adaptação livre do conto "A Rainha da Neve" de Hans Christian Andersen, “Frozen” conta a história de Elsa, a fila mais velha da família real de Arendelle, ela nasceu com o poder mágico de criar gelo e neve. Um dia, enquanto brincava com a irmã Anna, ela acidentalmente a machuca, então ela cresce tentando esconder e controlar seus poderes, mas após acidentalmente condenar o reino a um inverno eterno, ela foge e agora cabe a Anna e Kristoff, um jovem que vive nas montanhas do reino, partirem em uma jornada para a trazerem  de volta e reverterem o inverno em verão.



“Frozen -  Uma Aventura Congelante” alia uma animação impecável que mescla a animação tradicional e computação gráfica em uma técnica revolucionária que foi utilizada pela primeira vez em “Enrolados” e que garante um visual nada menos do que espetacular, ajudado pelo ótimo uso do 3D, um roteiro inteligente que lida com temas como o primeiro amor, solidão e perda, sempre de maneira tocante e divertida, com personagens cativantes que fazem com que o público se importe com a história e canções divertidas, que fazem jus ao grande legado dos musicais da Disney. Sucesso absoluto de público e crítica (o longa já faturou o Globo de Ouro de melhor animação e é o grande candidato ao Oscar na categoria), “Frozen” é o melhor desenho do estúdio desde “Tarzan” (99) e um dos melhores filmes produzidos no ano passado.




*Antes de “Frozen” é exibido o curta “Hora de Viajar” uma homenagem aos primeiros desenhos do Mickey, ele se apoia em gags visuais, fazendo excelente uso da animação tradicional, da computação gráfica e do efeito 3D. Pena que na versão em português perde-se a voz do próprio Walt Disney, que dublou o personagem até quase sua morte em 1966. Uma ótima maneira de comemorar os 85 anos do ratinho mais famoso do mundo.

Frozen, 2013 direção de Chris Buck e Jennifer Lee roteiro de Jennifer Lee baseado no conto “The Snow Queen” de Hans Christian Andersen produção executiva John Lasseter música de Christopher Beck canções de Robert Lopez and Kristen Anderson-Lopez. Duração 102 minutos. Distribuição Buena Vista Infantil/Musical.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Crítica - Oz, Mágico e Poderoso

Nota: 9
Antes de mais nada, comparar "Oz, Mágico e Poderoso" com o filme original de 1939 é injusto com ambas as produções, pois "O Mágico de Oz" já encanta crianças e adultos há muitas gerações e é um dos filmes mais queridos e vistos de todos os tempos, em contrapartida, apesar de ter uma produção impecável para a época, ele não é tão tecnologicamente avançado (por razões óbvias), afastando pessoas que não gostam de filmes antigos, portanto dadas as proporções cada filme tem seu charme. O novo filme na verdade é uma prequel, narrando eventos anteriores ao filme de 1939 e do livro original. Oz (James Franco) é o mágico de um circo mambembe,  mulherengo e vigarista e ao arranjar encrenca com um dos artistas do circo, ele foge em um balão que é pego em um tufão. Transportado para um mundo mágico e desconhecido, ele precisa lidar com a batalha entre três bruxas locais pelo controle do reino: Theodora (Mila Kunis), Evanora (Rachel Weisz) e Glenda (Michelle Williams).
Dirigido pelo mesmo Sam Raimi da Trilogia "Homem-Aranha" e produzido pela Disney, “Oz, Mágico e Poderoso” é visualmente estonteante, com cenários que remetem ao filme de 1939, sem copiar o design de produção do filme anterior (devido a problemas de direitos autorais), ampliando o escopo da Terra de Oz, adicionando paisagens e também mostrando lugares que são bem conhecidos pelos fãs do filme de Judy Garland de uma maneira bem mais grandiosa e  eleaborada. Raimi presta muitas homenagens ao filme original, já começando com o prólogo no Kansas, onde assim como no longa anterior, a história começa em preto e branco, usando inclusive o formato de tela e o som mono que era o padrão em 39, e quando chega em Oz, a tela expande, o som muda para stereo digital e um colorido intenso, que imita o tecnicolor da década de 30 toma conta do resto do filme, que sim, é recheado de efeitos deslumbrantes, com personagens digitais muito bem feitos e um 3D literalmente de saltar aos olhos. O longa-metragem também faz homenagem a personagens clássicos como o Leão Covarde, o Espantalho, mas não vou estragar contando como e onde, só posso dizer que para os fãs, o filme vai ser um deleite, desde que não se faça comparações demais. 

Quanto ao elenco, James Franco está extremamente simpático e convincente como um vigarista de bom coração, já as três bruxas, representadas por Mila Kunis, Rachel Weisz e Michelle Williams atingem resultados desiguais, Weisz é a que está melhor e parece estar se divertindo no papel de Evanora, Williams convence como Glinda, a Boa, mas como todo personagem bom demais, ela fica limitada à sua candura, se bem que à faíscas aqui e ali (sem spoilers, por favor), enquanto Mila Kunis que é a que teria que ser a mais assustadora e também a mais divertida, não convence tanto no papel, embora ela tenha algumas cenas divertidas no papel da Bruxa Má mais famosa do cinema. E os personagens digitais, principalmente o macaquinho Finley (na voz de Zach Braff) e a boneca de porcelana chinesa, são convincentes e interagem de forma perfeita com o elenco, participando em alguns dos momentos mais emocionantes do filme. 

É quase certo que “Oz, Mágico e Poderoso” não será um clássico da magnitude de “O Mágico de Oz”, mas ainda assim é um filme divertido, emocionante e que compensa a ida ao cinema, seja pela história, pelo visual ou por causa do elenco. Sam Raimi é um diretor talentoso e sabe como fazer um filme pipoca como poucos e aqui ele faz um ótimo trabalho e como uma boa produção da Disney (infinitamente melhor do que "Alice No Pais das Maravilhas") ele garante duas horas de puro espetáculo e entretenimento de primeira.


Oz the Great and Powerful, EUA, 2013 direção de Sam Raimi escrito por David Lindsay-Abaire and Mitchell Kapner  baseado no obra de L. Frank Baum produzido por Joe Roth música de Danny Elfman com James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams e Zach Braff distribuição Walt Disney Pictures/Buena Vista duração 127 minutos Aventura/Fantasia.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Em Cartaz

A Viagem
Nota:10
Baseado no livro “Cloud Atlas” de David Mitchell, um livro considerado de difícil adaptação, “A Viagem” é o primeiro filme dos Irmãos Wachowski (Trilogia Matrix) desde “Speed Racer” e aqui eles dividem a direção com Tom Tykwer de “Corra, Lola, Corra”. Para variar os diretores não fizeram um filme simples, nem fácil, mesmo porque a história não permitiria e eles apostam na inteligência e na paciência do espectador para tentar conectar as seis tramas que compõem a narrativa ao longo de quase centenas de anos e que possuem uma interligação que cabe muito mais ao espectador encontrar, do que realmente aos cineastas apontar. No século XIX, Adam Ewing (Jim Sturgess) é um advogado enviado pela família para negociar a comprar de novos escravos. Ao retornar para casa, após passar mal, ele salva um escravo, Autua (David Gyasi), ele conta com ajuda do médico Henry Goose (Tom Hanks) para combater a doença que o aflige. Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw) ajuda o já idoso gênio da música, Vyvyan Ars (Jim Broadbent). Durante este trabalho e enquanto compõe sua própria obra, chamada de Sexteto Cloud Atlas, Robert encontra uma crônica escrita por Ewing perdida em um jornal em meio aos livros de Ars. Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d'Arcy) quando ficam presos em um elevador. Algum tempo depois, ele a procura para revelar uma conspiração acerca de um reator nuclear, com a morte misteriosa de Sixmith, Luisa acaba lendo uma série de cartas de um jovem chamado Robert Frobisher, enviadas a Sixmith quando jovem. Nos dias atuais, Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, que lançou um livro que dificilmente dará retorno financeiro. Entretanto, a situação muda quando o autor do livro mata um de seus críticos, tornando-se uma celebridade instantânea, Em uma Coreia do Sul do futuro (agora chamada de Nova Seul), Sonmi-451 (Donna Bae) é um clone que trabalha em um restaurante fast food. Ela foi programada para realizar diariamente as mesmas tarefas, sem manifestar qualquer reclamação, mas quando outro clone acaba, sem querer, despertando-a sobre sua existência, tudo muda. Em um futuro remoto, Nova Seul foi tragada pelas águas há 100 anos, o que fez com que o local viva uma realidade pós-apocalíptica. Nesta época vive Zachry (Tom Hanks), o líder de uma tribo que venera Sonmi como se fosse uma deusa. Sua vida muda quando Meronym (Halle Berry), uma integrante de grupo evoluído tecnologicamente mais evoluído, chamado Prescients, lhe pede para viver com sua tribo. O filme segue as histórias simultâneamente, envolvendo o espectador nos pequenos dramas e em grandes aventuras de cada um dos personagens, aqui vividos pelos mesmos atores em papéis diferentes em um trabalho de maquiagem arrojado e que torna às vezes impossível dizer quem é quem (Só nos créditos a duvida é sanada), sem falar que o elenco está impecável. Visualmente estonteante, os efeitos visuais são incríveis e incrívelmente complexo, “Cloud Atlas” é um filme que mesmo quando você se sente perdido, compensa e entretém. Um dos melhores filmes feitos em 2012 e um injusto fracasso de bilheteria, um filme que é apesar de difícil, não é menos recompensador por isso, que encontra resistência maior naqueles que preferem histórias mastigadas.


Cloud Atlas. Alemanha/ EUA, 2012. Imagem. Direção de Tom Twyker, Andy Wachowski e Lana Wachowski. Com Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Keith David, Ben Whishaw, James D´Arcy, Xun Zhou, Doona Bae e Susan Sarandon. Distribuição Warner Bros. 172 min. Drama/Ficção.
Detona Ralph
Nota: 10
Em um dos melhores desenhos da Disney nos últimos anos, Detona Ralph (John C. Reilly) quer muito ser tão adorado quanto seu adversário de jogo, o Mocinho Conserta Felix (Jack McBrayer). O problema é que ninguém gosta de Bandidos, então após ser humilhado na festa de aniversário do jogo que faz parte, Ralph decide que irá se tornar um herói, ganhando uma medalha e o direito de viver com os outros personagens de seu game, para isso ele parte em sua busca, passando por um moderno jogo de tiro em primeira pessoa, que encara como sua chance para o heroísmo e a felicidade. Ele invade o game, mas não demora a arruinar tudo, libertando sem querer um inimigo mortal que põe em risco todos os jogos do fliperama. A sua única esperança é Vanellope von Schweetz (Sarah Silverman), um “bug” de um jogo de corridas que acabará ensinando a Ralph o que significa ser um Mocinho. Colorido, inventivo e incrívelmente divertido, “Detona Ralph” tem ótimas cenas de ação e uma história que envolve e emociona, sem falar que as referências à games famosos e as várias aparições de personagens de games antigos e novos, divertem, ainda mais o público mais velho, já que as crianças menores ficarão encantadas pelo visual colorido e moderno. Com certeza uma ótima diversão para toda a família.


Wreck-it-Ralph, EUA, 2012 direção Rik Moore com as vozes de John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch distribuição Disney/Buena Vista. 101 minutos. Animação.

As Aventuras de Pi
Nota:10
Ang Lee (O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Mountain) conseguiu de novo, mais uma vez ele pegou uma história simples que na mão de outro diretor daria um filme no máximo mediano e transformou em uma experiência cinematográfica que vale cada minuto. O filme conta a história de Pi Patel (Suraj Sharma), filho do dono de um zoológico na Índia. Após anos cuidando do negócio, a família decide vender o empreendimento para se mudar para o Canadá, onde poderiam vender os animais para recomeçar a vida, mas o cargueiro onde todos viajam acaba naufragando devido a uma terrível tempestade. Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre de bengala chamado Richard Parker. O filme se concentra em sua maior parte na relação entre Pi e Richard Parker, enquanto os dois lutam para sobreviver em mar aberto, com momentos de tensão e drama, pontuados por ótimos momentos de humor e uma história incrível que nos leva a pensar em nossa relação não só com as pessoas que nos cercam, mas com a vida em si e principalmente com Deus. Ang Lee usa o 3D, não como distração, mas como uma ferramenta para contar sua história, concebendo cenas de uma beleza única e de grande impacto. Suraj Sharma se mostra uma bem vinda surpresa, afinal o filme depende de sua atuação para funcionar e ele dá um desempenho incrível, em um filme extremamente tocante que está conquistando as plateias mundo afora e está entre os favoritos para o Oscar desse ano. Ignore o título em português, afinal esse “As Aventuras” faz parecer que é um daqueles filmes tipo “Lassie” ou “Free Willy”, o que ele não é, e embarque nesse filme adulto e inesquecível.


Life Of Pi, EUA, 2012 direção Ang Lee com Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Adil Hussain, Gerard Depardieu e Rafe Spall baseado no livro de Yann Martel. Distribuição Twentieth Century Fox. 127 minutos Drama/Aventura.

sábado, 3 de novembro de 2012

Que a Força Esteja com a Disney


Essa semana uma notícia pegou muitas pessoas de surpresa, a compra da Lucasfilm pela Disney e com isso a aquisição dos direitos da série "Star Wars", maior franquia da companhia fundada por George Lucas nos anos 70 e além disso o estúdio do Mickey Mouse anunciou a produção de "Star Wars" episódios VII, VIII e IX iniciando com um filme já em 2015. Isso já foi motivo para manifestações de fãs descontentes (e quando os fãs de Star Wars estão contentes?) e temerosos em todas as redes sociais, com mensagens absurdas e engraçadíssimas de que a Disney lançaria um músical de Star Wars ou versões fofas dos filmes da série, enfim o nonsense reinou durante a semana, mas vamos aos fatos:


Após a fusão com a Pixar e a compra da Marvel, a Walt Disney Company se firma como o maior conglomerado de entretenimento do mundo, além da Walt Disney Pictures e suas subsidiárias,  ela é dona também da rede ABC de "Lost", da ESPN e A+E Networks entre outras companhias e a compra da Lucasfilm por 4 bilhões representa um grande passo para o estúdio, que além dos filmes de animação e das franquias "Piratas do Caribe" e "Os Vingadores" adquire uma das maiores e mais poderosas marcas da história de Hollywood, "Star Wars", cujo o universo ficcional vai além dos filmes de cinema e se desdobra em desenhos, games, livros e diversas mídias e já gerou bilhões de dólares no mundo todo. 


De acordo com o próprio Lucas, ele sempre achou que a série ia além dos filmes que ele já fez e que chegaria o dia em que uma nova geração de cineastas e artistas tomaria conta da sua criação, na verdade com a venda, Lucas que já está com 68 anos garantiu a continuidade, não só da franquia, mas como de todos os negócios iniciados por ele, afinal ele já tem falado em aposentadoria desde 2005 quando estreou o então último episódio de "Star Wars", "A Vingança dos Sith", e devido às duras críticas que recebeu durante a produção da nova trilogia entre 1999 e 2005 e também por seu envolvimento na produção de "Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal", que também recebeu duras críticas de fãs mais exaltados, o levou a considerar tal decisão, afinal ele começou a carreira querendo ser um cineasta independente e não um homem de negócios. Além disso com a compra, a Disney adquiriu a Industrial Light & Magic e a Skywalker Sound, duas das maiores empresas do mundo que lidam com pós produção, a ILM além de "Star Wars", foi responsável por outros filmes que mudaram a história do cinema, como "O Exterminador do Futuro 2- O Julgamento Final", "Jurassic Park", "Forrest Gump", além de grandes séries como "Piratas do Caribe", "Transformers" e "Harry Potter" e a Skywalker Sound revolucionou a criação e desenvolvimento de sistemas e efeitos de som feito para o mercado cinematográfico, principalmente com o sistema THX. Na verdade o processo de compra se inciou em Maio de 2011, após um encontro de George Lucas com o Presidente da Disney, Bob Iger, durante a inauguração de "Star Tours: The Adventure Continues" uma atração da Disney World e se estendeu por mais de um ano até o anúncio feito essa semana.





O primeiro grande passo dado pela Disney foi o anúncio de uma nova trilogia da série "Star Wars" com Lucas como consultor e Kathleen Kennedy, produtora de diversos filmes de Steven Spielberg e que trabalhou com ambos no último "Indiana Jones", como produtora geral da série, cargo que na última trilogia ficou a cargo de Rick McCallum. A história não seria baseada em nenhum dos livros que deram continuidade as aventuras de Luke Skywalker, Princesa Leia e Han Solo e se passaria 20 anos no futuro, apesar de Mark Hamill (Luke) e Carrie Fisher (Leia) terem conversado com Lucas no último verão,  o elenco original já está em uma idade mais avançada, com mais de 60 anos, então especula-se que novos atores ficariam com os papéis e os filmes seriam lançados em 2015, 2017 e 2019. A outra menina dos olhos da Lucasfilm, a série "Indiana Jones", por enquanto continua adormecida, pois não foram anunciados planos para ela no momento, muito provavelmente porque todos os filmes da série só chegaram às telas após um consenso entre George Lucas, Steven Spielberg e o astro Harrison Ford, e o último filme ficou mais de uma década em desenvolvimento até ser aprovado pelo trio, e com Ford agora com 70 anos torna tudo um pouco mais complicado.


De qualquer maneira a noticia deveria ser encarada de maneira mais otimista pelos fãs, afinal a Disney já provou com a Pixar e a Marvel que não se mexe em time que está ganhando, e que ela jamais pagaria uma fortuna pelos direitos de uma franquia bilionária, para destruí-la, ela sabe a força da marca que ela comprou e do legado que "Star Wars" e a Lucasfilm em si representam. Para os fãs resta saber que a Fox ainda detém os direitos de distribuição dos filmes anteriores (do "Guerra Nas Estrelas" original perpetuamente e dos outros 5 longas até 2020) e que todos serão relançados em 3D até 2017, quando a saga completa 40 anos e a nova trilogia estará já em sua metade. Agora é só esperar e que a força esteja como George Lucas e com os novos donos de seu legado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Critica: "Valente"


Nota: 9,5

Ao assistir "Valente" o mais recente desenho da Pixar, parece que as pessoas chegaram ao consenso de que este é o desenho mais Disney da Pixar, mas dizem isso como se fosse um demérito, parece que as vezes muitos se esquecem que a Disney durante décadas foi o pilar da animação com trabalhos revolucionários como "Branca de Neve e os Sete Anões", "Pinóquio", "Fantasia" e "Bambi" e de clássicos como "A Bela Adormecida", "A Bela e a Fera", "O Rei Leão"  em muitos outros, e isso ignoraria o fato de a Pixar possuir méritos por si só. O que realmente dá a impressão de que esse é mais um desenho da Disney do que da Pixar é exatamente por se tratar da primeira vez em que o estúdio que era de Steve Jobs se arrisca no território das fábulas e dos contos de fadas. "Valente" Conta a história da jovem princesa Merida, criada pela mãe para ser a princesa perfeita, algo que a garota não tem a menor vocação para ser, preferindo cavalgar pelas planícies selvagens da Escócia e praticar o arco e flecha. Quando uma competição é organizada para escolher seu futuro marido, Merida pede a ajuda de uma bruxa, a quem pede que mude sua mãe, só que quando o feitiço surte efeito, a transformação da rainha não é exatamente o que Merida imaginava. Agora caberá à jovem ajudar a sua mãe e impedir que o reino entre em guerra com os povos vizinhos.



O que muitas pessoas parecem ignorar ao assistir ao filme é exatamente que todas as qualidades das animações da Pixar estão presentes, primeiro na construção de personagens cativantes e críveis. O relacionamento de Merida e seus pais é tocante e extremamente bem resolvido, e nunca é tratado de forma simplista, sem falar que a princesa jamais recorre a um galante príncipe encantado para salvar o dia, ela usa os próprios recursos e sua inteligência pra resolver a situação. Outra qualidade está nas sacadas de humor, que não de dependem de referências a outros filmes, como "Shrek" e aproveita tanto o ótimo roteiro como as criativas gags visuais.





Como todo desenho da Pixar, "Valente" supera os antecessores em termos técnicos, desde os rebeldes cabelos de Merida, passando pelas belas paisagens escocesas, a Pixar mostra porque está a anos luz das concorrentes, o filme tem um visual belíssimo, incluindo um requintado trabalho de fotografia, capaz de causar inveja a  muitos filmes live action, e todo esse apuro técnico é emoldurado pela bela trilha sonora de Patrick Doyle.

Talvez o unico porém do filme fica exatamente reservado ao gênero a que ele pertence, afinal Fábulas e Contos de Fadas não são exatamente surpreendentes e você pode enxergar o final com certa antecedência, mas se formos pensar nas lendas em si, o que elas são além de uma forma de passar algum tipo de sabedoria ou mensagem às novas gerações? "Valente" cumpre essa missão com louvor e o que fica aparente é que não importa exatamente qual o final, mas sim a jornada até ele, e a jornada de Merida é uma que merece ser vista, de preferência na tela grande.





Brave, 2012 direção Mark Andrews & Brenda Chapman produzido por Katherine Sarafian, roteiro de Mark Andrews, Steve Purcell, Brenda Chapman, Irene Mecchi com as vozes de Kelly Macdonald, Julie Walters, Billy Connolly, Emma Thompson, Kevin McKidd, Craig Ferguson, Robbie Coltrane, distribuição Buena Vista. duração 93 minutos. Animação/ Aventura