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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Em Cartaz


O Lado Bom da Vida

Nota:10

Indicado a 8 Oscars e um dos favoritos desse ano, “O Lado Bom da Vida” é mais uma prova do talento de David O. Russell, dos ótimos “Três Reis”, “O Vencedor” e “Huckabees - A Vida é uma Comédia”, o filme conta a história de Pat Solitano (Bradley Cooper), um homem com transtorno bipolar, que depois de enviado a um sanatório, retorna a casa de seus pais, depois de oito meses de tratamento. Determinado a reconstruir sua vida, Pat deseja retomar seu casamento, e superar todos os problemas que passou, inclusive com seu pai, Pat Sr. (Robert De Niro), que está desempregado e recorre à apostas para conseguir levantar algum dinheiro para a construção de um restaurante. Ao jantar com seu amigo Ronnie (John Ortiz), ele conhece sua cunhada, Tiffany Maxwell (Jennifer Lawrence), uma jovem viúva viciada em sexo; que também passa por problemas psicológicos depois de perder seu marido e ser demitida. Pat e Tiffany desenvolvem uma estranha amizade através de seus comportamentos incomuns, e ele logo vê a oportunidade de comunicar-se com a ex-esposa através dela, já que a irmã da garota é amiga da ex de Pat, mas para isso acontecer, ele terá que ser o parceiro de Tiffany em uma competição de dança que está por vir. Contar mais da história é estragar as ótimas reviravoltas e surpresas da trama, que é baseada no livro de Matthew Quick. "O Lado Bom da Vida" é uma deliciosa mistura de comédia romântica e drama familiar, ancorado nas ótimas atuações e na química incomum de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, aqui ajudados pelo desempenho impecável do elenco de coadjuvantes, que incluiu a melhor atuação de Robert DeNiro em anos e performances deliciosas de Jacki Weaver, como a mãe de Pat e Chris Tucker, como Danny, seu companheiro de sanatório. O diretor consegue equilibrar todos os elementos de drama e comédia, tornando o filme interessante não só para quem gosta de comédias românticas, mas para quem  gosta de filmes adultos e inteligentes.



The Silver Linings Playbook, 2012 direção e roteiro: David O. Russell, baseado no livro de Matthew Quick produção Bruce Cohen e Donna Gigliotti música de Danny Elfman com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert Deniro, Jacki Weaver, Julia Stiles, John Orstiz e Chris Tucker. Distribuição The Weinstein Company duração 122 minutos Comédia Romântica/Drama


João e Maria: Caçadores de Bruxas

Nota:4

Um daqueles filmes que tentam dar roupagem nova a uma história manjada, "João e Maria: Caçadores de Bruxas" se passa 15 anos após o traumático incidente envolvendo uma casa feita de doces, agora o famoso casal de irmãos formam uma dupla de implacáveis caçadores de bruxas, que migram pelo mundo procurando e matando esses seres malignos. Entretanto, eles se deparam com um caso de desaparecimento de crianças que parece estar além de suas habilidades e que pode não só levar à uma Bruxa poderosa, mas também a revelação de importantes fatos sobre seu próprio passado. Estrelado por Jeremy Renner (Guerra Ao Terror), como João e Gemma Atherton (Fúria de Titãs), como Maria, o filme tinha tudo para ser uma ótima e divertida aventura, mas desperdiça a chance em um roteiro de quinta cheio de falas absurdamente mal escritas, o engraçado é que a história em si, a sequência de eventos não é ruim, porém os diálogos são tão ruins e a direção assumidamente B de Tommy Wirkola tão sem inspiração,  que nem os efeitos, nem o elenco consegue salvar o filme, inclusive não tira proveito de Framke Janssen (X-Men) que se esforça para divertir e assustar no papel da bruxa Muriel. Derivativo, formulaico e com poucas cenas de ação realmente boas, o filme só vale pelo bom uso do 3D e para desligar os neurônios por uma hora e meia.



Hansel and Gretel: Witch Huntets, 2013 direção de Tommy Wirkola roteiro de Tommy WirkolaDante Harper produção de Will Ferrell, Adam McKay e Kevin Messick com Jeremy Renner, Gemma Atherton, Framke Janssen e Peter Stormare distribuição Paramount Pictures e Metro-Goldwyn Mayer. Duração 88 minutos. Aventura.

O Último Desafio

Nota:7,5

É uma pena, mas o retorno de Arnold Schwarzenegger às telas como protagonista é um dos maiores fracassos desse começo de ano, sim “O Governador do Futuro” merecia melhor sorte em seu primeiro papel principal em uma década. Porém, isso não quer dizer que “O Último Desafio” seja uma perda de tempo ou um filme ruim, pode não ser um clássico ou um filme que mudará a história do cinema, mas regado a muitos tiros e explosões, é diversão garantida.  Schwarzie faz o papel de Ray Owens, o xerife de um município na fronteira dos Estados Unidos com México, que não esperava que um poderoso chefão das drogas, que escapou da prisão, fosse tentar cruzar a fronteira exatamente na pacata cidade onde trabalha. Para proteger Sommerton, Ray reúne todo o pessoal à sua disposição para enfrentar o chefão e sua gangue. Com a direção acelerada e estilosa de Kim Ji-woon e um elenco de apoio que inclui Forrest Whitaker, Johnny Knoxville e Rodrigo Santoro,  o filme tem  personagens bacanas e cenas de ação muito bem realizadas, se lançado nos anos 80 e 90, teria sido um sucesso imediato, mas com uma campanha de marketing que não conseguiu fazer do filme uma experiência única, ou ao menos mostrar suas qualidades, ainda mais nos dias atuais, onde filmes conceito e adaptações de quadrinhos reinam nas bilheterias e astros e estrelas ficam em segundo plano, o filme não encontrou seu público, o que é uma pena, porque com muita violência, cenas de ação assumidamente absurdas e humor, o longa mostra que Schwarzenegger, aos 65 anos ainda convence nesse tipo de papel e que para o bem ou para o mal, está de volta.



The Last Stand, 2013 direção Kim Ji-woon produzido por Lorenzo di Bonaventura escrito por Andrew Knauer com Arnold Schwarzenegger, Forest Whitaker, Johnny Knoxville, Rodrigo Santoro, Luis Guzmán, Jaimie Alexander, Eduardo Noriega e Peter Stormare distribuição Lionsgate/Paris Filmes. duração 107 minutos. Ação.

domingo, 4 de setembro de 2011

Grandes Filmes: Os Bons Companheiros

“Os Bons Companheiros” (The Goodfellas, 1990) tem a distinção de ser considerado o melhor filme do maior diretor americano em atividade, quando falo em maior não digo em sucesso comercial, em números, mas sim em qualidade, afinal, Martin Scorcese é responsável por alguns dos filmes mais importantes e influentes já feitos, como “Caminhos Perigosos” (Mean Streets, 1973) “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (Raging Bull, 1980), “A Última Tentação de Cristo” (The Last Temptation Of Christ, 1988), “A Época da Inocência”(The Age Of Innocence, 1993), “Cassino” (Casino, 1995) e “Os Infiltrados” (The Departed,2006) e muitos outros de menor influência, mas ainda assim de grande qualidade.


"Goodfellas" é o ápice de um tipo de filme que fez a fama do diretor, filmes sobre o crime organizado, que começou com “Caminhos Perigosos” e culminou com os Oscars de “Os Infiltrados”, mas ainda tem como melhor exemplo “Os Bons Companheiros”, o único a rivalizar em importância com a série “O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972, 74, 90), sendo considerado por muitos criticos como um filme ainda melhor.


Assim como “Chefão”, o filme é uma crônica sobre a vida dentro do crime organizado, mostrando como Henry Hill (Ray Liotta) ingressa na Máfia, acompanhando sua ascenção e sua queda, ao mesmo tempo em que mostra sua relação com o Chefão Paul Cicero (Paul Sorvino) e com os gangsters Jimmy Conway (Robert DeNiro) e Tommy De Vito (Joe Pesci, no papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), além de acompanhar os altos e baixos do seu casamento com Karen (Lorraine Bracco), sua esposa que no começo desconhece suas atividades, mas no fim acaba sendo conivente e participando.

O que destaca o filme da maioria dos filmes sobre o assunto, além do roteiro de Nicholas Pileggi (que contou com a ajuda do próprio Hill) e do diretor, é a carga de realismo que Scorcese trouxe para o projeto, afinal como cresceu em Little Italy, bairro de Nova York, o diretor cresceu vendo a Máfia dominando seu bairro, ele viu em primeira mão, algo que muitos diretores apenas imaginam, e o filme é permeado por esses pequenos flashs que vêm exatamente das lembranças do diretor, como Hill ainda na infância admirando os mafiosos da janela, querendo viver essa vida, ao ver como os gangsters eram temidos e respeitados no bairro.


Martin Scorcese também tem um talento raro de conseguir jogar a platéia dentro da época em que seus filmes se passam, com o uso de uma trilha sonora impecável e também ao mostra detalhes de como esse mundo funciona, sua camera passeia pelas cenas, mostrando detalhes que as tornam mais realistas, e esse é o grande trunfo de “Os Bons Companheiros” de levar o espectador para dentro desse mundo fechado, onde as pessoas que o habitam contam apenas com aqueles que já estão nele, as esposas só convivem entre elas e os maridos apenas com as pessoas que participam do “trabalho”, seja um roubo, seja tráfico de drogas, é um mundo fechado para a sociedade, onde tudo se baseia na tênue confiança e nas alianças que são feitas e que de uma hora para outra podem acabar.

Como apenas as imagens não sustentam um filme, Scorcese conta com um time de grandes atores no topo de sua forma, Ray Liotta e Lorraine Bracco nunca mais conseguiram desempenhos tão formidáveis como aqui, você sente a quimica explosiva entre eles, Robert DeNiro em um papel menor, garante a credibilidade do filme, em uma de suas melhores atuações, seu personagem gravita entre a amabilidade, a paranóia e explosões de violência, e assim como o de Joe Pesci, de um momento para outro explode, sem misericórdia, Pesci inclusive ganhou o Oscar por esse papel, que definiu sua persona no cinema, em que seu diminuto tamanho, não o impede de cometer atos de extrema violência, por mais que ele seja lembrado pelo Leo Getz da série Máquina Mortífera (Lethal Weapon, 1987, 89, 92. 98), é por esse papel que ele veio a ser respeitado como o grande ator que ele é.


O filme recebeu 6 indicações para o prêmio da Academia de Artes Cinematográficas, vencendo apenas um, foi derrotado por “Dança Com Lobos”(Dances With Wolves, 1990) mas nem por isso ele perdeu seu prestigio, pelo contrário, sua importância apenas cresceu, sendo selecionado para preservação, pela Bibilioteca do Congresso Americano, por ser considerado um filme históricamente relevante. Também recebeu 6 Baftas (O prêmio da Academia de Cinema Britânica), incluindo melhor filme e direção, o Leão de Prata de melhor diretor no Festival de Veneza, o César do cinema francês de melhor filme estrangeiro, entre outras honrarias.

Hoje em dia é considerado um clássico do cinema moderno, e com toda justiça, pois é um filme único, forte e violento, de um diretor que faz cinema de primeira, com um elenco no topo de sua forma e onde cada cena é planejada com precisão, com movimentos de câmera que impressionam, mas não distraem sua atenção da narrativa, a edição é acelerada, mas nunca confusa e a trilha sonora tem a função de ajudar a contar e situar a história, usando cerca de 30 anos de clássicos do pop e do rock. Um filme para quem gosta de cinema de verdade, e não video clipes feitos para multiplexes, que vinte anos depois de ter sido lançado não perdeu sua força ou relevância.




Goodfellas, 1990. direção de Martin Scorcese roteiro de Nicholas Pileggi e Martin Scorcese produzido por Irvin Winkler editado por Thelma Schoonmaker direção de fotografia Michael Ballhaus com Robert DeNiro, Ray Liotta, Joe Pesci, Paul Sorvino, Lorraine Bracco, Samuel L. Jackson, Catherine Scorcese. distribuição Warner Bros. 146 minutos. Drama/Policial